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Entrevista pré-evento
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   Entrevista com Adrian Alvarez
O sócio-fundador da Midas Consulting, consultoria de inteligência competitiva e gestão com atuação na América Latina e Europa, fala sobre sistemas de alerta antecipado e a importância das redes sociais para o trabalho de inteligência.
08-03-2010
por Luciano Fonseca
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O sócio-fundador da Midas Consulting, consultoria de inteligência competitiva e gestão com atuação na América Latina e Europa, fala sobre sistemas de alerta antecipado e a importância das redes sociais para o trabalho de inteligência.

 

O ambiente que envolve as grandes companhias é extremamente complexo: fatores de risco podem estar ligados aos concorrentes e aos fornecedores e clientes. Como uma empresa deve se estruturar para não ter perdas acentuadas em função de fatores externos?

 

Eu acho que não há receita de bolo para que todas as companhias se organizem da mesma maneira. De fato, acho isso prejudicial porque distintos tipos de mercado requerem diferentes tipos de organização. Acredito, porém, que ter um sistema de alerta antecipado melhora significativamente o desempenho das empresas. Uma enquete feita pela McKinsey estimou que as empresas perdem 7% de seus ganhos por não antecipar lançamentos de produto e baixas de preço de seus concorrentes.

 

Essas são apenas duas maneiras de concorrer, mas há muitas mais. Por exemplo, o concorrente pode fazer outras estratégias como aumentar investimentos em propaganda, aumentar a garantia de produtos, usar novos canais de distribuição, etc. O efeito acumulado de prever as mudanças no ambiente competitivo, então, seria muito maior que esse 7% e, portanto, ter um sistema de alerta antecipado é quase um requisito para ser bem sucedido. Um estudo de Gilad, porém, estimou que só 2% das empresas Fortune 500 (as maiores dos EUA) têm sistemas de alerta antecipado, como a própria crise financeira global pode atestar.

 

Como o senhor avalia o atual estágio de desenvolvimento da inteligência competitiva no Brasil? As empresas brasileiras, nesta área, estão no mesmo nível dos outros países?

 

É uma pergunta difícil de responder sem contexto, porque há diferentes niveles ou categorias, como no futebol. No futebol há times que competem na copa Libertadores de América e times que competem no campeonato local. Na IC é a mesma coisa. Temos os EUA que são os líderes indiscutidos e que competem em nível de desenvolvimento com Europa Ocidental e a América Latina, que por sua vez não pode competir com esses países e seria mais de campeonato local. O Brasil, porem, é o líder do conjunto latino (América Latina, Espanha e Portugal), mas ainda está engatinhando em comparação com os EUA.

 

Também há grandes diferencias dentro do mesmo país. No Brasil, há empresas que são como ilhas, muito avançadas na IC e que já alcançam padrões internacionais como os EUA e há empresas que estão começando mesmo. Temos então o mesmo problema de diferentes ligas de futebol.

 

As novas tecnologias e a proliferação das redes sociais facilitam o tráfego de informações. Na sua opinião, as redes sociais realmente podem ser relevantes para o trabalho de inteligência competitiva? Por quê?

 

Acredito que por redes sociais estamos falando de LinkedIn, Facebook, etc. As redes, em geral, são muito úteis para o trabalho de inteligência, já que o analista não pode estar em todos lados ao mesmo tempo. Portanto, o departamento de IC necessita de ajuda do resto da empresa.

 

As utilidades das redes sociais são diferentes de acordo com o tipo. As informais, como Facebook, por exemplo, servem para cimentar as relações pessoais ou informais. Isso é importantíssimo, porque as redes não podem se manter apenas de um modo formal, todas as redes precisam de uma face informal para se manter no tempo. É importante, porém, que se guarde o sigilo nessas redes. Por exemplo, não deixar perfis visíveis nem as conexões e nunca falar de trabalho nessas redes. Se não se guardar sigilo, então está se passando informações sensíveis para o concorrente de maneira inadvertida.

 

Redes como LinkedIn podem ter também uma utilidade ofensiva, por exemplo: as pessoas que deixam detalhes importantes no seu perfil. Isto porem deve ser analisado porque é como se fosse um CV. E as pessoas tendem a mentir nos seus CVs.

 

Também é possível saber com quem falar ou fazer inteligência primária, porque a maioria dos usuários deixam seus nomes e cargo na empresa. Se linkamos isso com o Facebook, até podem se arranjar encontros “casuais” com a fonte potencial.

 

Esses são exemplos óbvios, mas há muitos mais. Acho, então, respondendo finalmente a sua pergunta que as redes sociais têm uma grande importância. Acredito também que virá no futuro um maior controle por parte das empresas desses perfis como maneira de fazer contra-inteligência, mas acho que ainda é muito cedo para isso.

 

O senhor será um dos palestrantes da conferência sobre Inteligência Competitiva promovida pela IBC. De que maneira o encontro contribui para o desenvolvimento da área no Brasil, na sua opinião?

 

Eu acredito que o evento terá alguns dos grandes temas que estão vigentes no mundo da IC como, por exemplo, alerta antecipado, jogos de guerra e redes. Isso mostra que o Brasil está no caminho certo e está mais avançado que outros países da região onde esses temas ainda são desconhecidos.


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