Como sabemos, o mercado é cada vez mais dinâmico. De maneira geral, como as companhias devem se preparar para identificar oportunidades e avaliar riscos em suas áreas?
A chave para que as empresas identifiquem oportunidades/ameaças e avaliem riscos, tanto aqueles inerentes ao mercado quanto aos relacionados às fragilidades de seus processos, está relacionada ao modelo de gestão corporativa adotado.
Esse modelo de gestão deve ser capaz de conectar a visão estratégica da liderança (Alta Administração) ao planejamento tático de seus gestores e este, com as atividades operacionais de suas equipes funcionais e/ou multidisciplinares. Essa integração permite aumentar a visibilidade da empresa ao longo de toda a sua cadeia produtiva ou das cadeias às quais ela encontra-se relacionada, permeando seu foco dos anseios e demandas de seus clientes até as capacidades e competências de seus fornecedores.
Como a inteligência competitiva pode agregar valor a uma empresa como a Samarco Mineração? E qual é o principal desafio para a IC no setor de mineração?
Se considerarmos que a Samarco está 100% relacionada ao mercado de commodities (pelotas de minério-de-ferro), o grande objetivo ou diferencial a ser alcançado é a conformidade de nossos produtos em relação à qualidade demandada pelos nossos clientes a um custo competitivo que permita maximizar os resultados financeiros da empresa.
Nas duas pontas da cadeia, tanto ‘outbound’ como ‘inbound’, o processo de inteligência nos permite avaliar sistematicamente o mercado comprador e fornecedor, mapeando as tendências técnicas e comerciais e ampliando a visibilidade e previsibilidade da empresa. Anteceder-se aos movimentos do mercado de forma planejada e aprender continuamente com o passado para projetar riscos e maximizar os ganhos, mesmo em períodos de crise ou elevada volatilidade do mercado, são os principais desafios de toda e qualquer empresa, não apenas do setor de mineração.
Qual é a proposta do projeto de inteligência coletiva para a área de suprimentos da Samarco? Quais foram os principais resultados obtidos?
A proposta é permitir que as pessoas, por meio de um processo estruturado e apoiado por uma ferramenta moderna desenvolvida nos preceitos da Web 2.0, recebam continuamente informações customizadas, diretamente relacionadas ao negócio de suprimentos e que as permitam tomar decisões mais assertivas e fundamentadas para maximizar os resultados operacionais. Essas informações, denominadas “Indicadores de Custo”, estão relacionadas às principais mercadorias adquiridas pela Samarco, ou seja, insumos, MROs e serviços contratados.
Neste processo, as pessoas são estimuladas a interagirem uma com as outras, discutirem pontos relevantes, a compartilharem informações e assim gerar um processo de aprendizado e troca contínuo, tudo isso através de uma funcionalidade baseada no modelo de “redes sociais”. O objetivo maior é descentralizar o processo de inteligência e compartilhar ao máximo as competências das pessoas que compõem a grande rede, sejam elas parte da equipe de Suprimentos ou não.
Além disso, a gestão de todo esse conhecimento gerado é armazenado em funcionalidades, como “Biblioteca”, “Palavra do Analista”, “Descritivos de Mercadorias”, “Banco de Imagens”, “Glossário”, “Enquetes”, entre outros.
Os principais resultados obtidos até o momento podem ser divididos em duas categorias: aqueles mensuráveis, como a maximização gradativa das economias geradas durante os processos de negociação junto aos principais contratos com fornecedores de insumos, materiais e serviços, bem como uma maior previsibilidade orçamentária, conforme constatado nos indicadores do ano de 2009; e aqueles não-mensuráveis, como o envolvimento da equipe de Suprimentos que se apropria do processo e da ferramenta para aprimorar continuamente seus conhecimentos técnicos e suas competências analíticas.
O senhor será um dos palestrantes da 11ª Conferência sobre Inteligência Competitiva da IBC. Qual é a expectativa do senhor para este encontro?
Será uma grande oportunidade para compartilhar esses conceitos de inteligência coletiva dentro de um caso real como o da Samarco. A troca de experiências com profissionais que pensam sistematicamente em modelos como esse, nos permite relatar as lições aprendidas em relação ao projeto e a fase inicial de aderência pelos usuários finais e, em contrapartida, absorver conhecimento que nos possibilite pensar nas novas fases de desenvolvimento, tanto do processo de inteligência, como da ferramenta propriamente dita. Colaboração é a palavra-chave para Inteligência Coletiva e nós fazemos uso literal do termo!